Pouco tempo para postar, pouca vontade de voltar a mostrar a minha enorme falta de espírito da quadra actual, bla, bla, bla, e ponto final que já se faz tarde.

Aqui ao pé de casa havia uma pequena pastelaria, coisa asseada e digna, onde geralmente íamos tomar o fumegante alento matinal de cada jornada quotidiana. Era propriedade de um jovem casal alentejano. Ele, ensimesmado e sem história nem assunto, com um ar até resignado; ela, garrida criatura loira, espécie de Mariah Carey ainda mais suburbana que a original, que não fazia mistério do seu fascínio pela parte masculina da Humanidade, e geralmente se ataviava de modo a chamar-lhe a atenção: blusas ostensivas, jeans de número abaixo, botas de franjinhas e brilhantes ou sapatos a dar para o agulha.
Há tempos, e sem qualquer aviso prévio, a pastelaria apareceu fechada. Cá por casa, a coisa intrigou-nos, pois nada o fazia prever. Tivemos que mudar de escala matinal. E assim continuou.
Hoje, a nossa prestimosa vizinha Dona Alzira, alma atenta ao mundo em redor, apanhou-nos na escada e revelou-nos o mistério:
Então foi que a rapariga se terá metido com o marido de uma cabeleireira quase adjacente. Esta, brasileira, descobriu o enrolo e é que não vai de modas: no dia seguinte, à hora do almoço, pastelaria cheia de comensais, irrompe pelo terreno inimigo, acareando a messalina.
Não temos relatos precisos da ocorrência, mas terão soado clamores de “Vem cá vagabunda, cê num tem homincasa não, sua sem vergonha?” Foi, de fonte segura, um tal arraial que a freguesia debandou, guardanapo entalado e bitoque por comer, como se um terramoto se abatesse sobre a zona. Ninguém pagou a conta, perante a patente falta de condições para tal. Tudo acabou logo ali, em refrega de lota pesqueira, estilhaçar de loiça e rasgar de roupa suja. Na deriva do pandemónio, a locanda correu taipais e já nem serviu lanches.
Do casal não tenho notícia. Parece que a adúltera foi recambiada para o Alentejo. A cabeleireira voltou a aviar extensões, bufando dignamente de fúria. E eu passei o dia de hoje relativizando a maioria das mesquinhas questões materiais da vida diária, pois percebi que ela tem coisas muito mais importantes, fascinantes e eternas.
A pastelaria reabre brevemente, com nova gerência.
I have a feeling that drinking is a form of suicide where you’re allowed to return to life and begin all over the next day. It’s like killing yourself, and then you’re reborn. I guess I’ve lived about ten or fifteen thousand lives by now.
You Are An Exclamation Point |
![]() You are a bundle of... well, something. You're often a bundle of joy, passion, or drama. You're loud, brash, and outgoing. If you think it, you say it. Definitely not the quiet type, you really don't keep a lot to yourself. You're lively and inspiring. People love to be around your energy. (But they do secretly worry that you'll spill their secrets without even realizing it.) You excel in: Public speaking You get along best with: the Dash |
Continuo sem pachorra para aturar a esmagadora maioria das pessoas, estou numa fase em que tudo me incomoda.
Os néscios, os broncos, os ignaros e os boçais e todos aqueles para quem as conquistas da Democracia e esforços de quem defende as Liberdades apenas representam um meio de exaltarem a sua extrema mesquinhez e egoísmo, a sua absoluta falta de respeito por tudo e todos e que ainda se gabam da sua total falta de civilidade. Gente indigna, parasitas, escarros humanos, todos eles.
E antes que venham por aí acusar-me de todo o tipo de preconceitos sociais, estes abortos evolutivos atravessam todas as classes sociais - como sempre, calha de ser em situações de pobreza que se tornam mais visíveis.
Os jornalistas e a comunicação social que apenas a duras penas de alguns corajosos/iluminados solitários consegue de longe a muito longe produzir uma peça/cacha ou o raio que parta que as alimárias lhes chamam. Todos os dias, todos sem excepção, encontro erros gramaticais de tão básicos que são que me teriam custado umas valentes reguadas na instrução primária, erros de sintaxe, "non-sequiturs" constantes. Mas o pior é a pobreza de conhecimentos verdadeiramente aflitiva que estes ditos profissionais revelam em absolutamente quase todos os temas que não sejam o cancro social dos futebóis eos montes de merda pustulenta da dita "Sociedade/Jetset".
É absolutamente confrangedor ver gente que é paga (mal ou bem virá ou não ou caso) que sem ter a noção das mais simples operações de matemática elabora peças para onde atira literalmente estatísticas, medidas e outros números que vão "pescar" aos "pool" demasiado pequeno das agências noticiosas ou das organizações dedicadas a estes temas. Quando traduzem notícias, é o descalabro - não rara vezes devem-no fazer com recurso ao "babel-fish" e fica como está; frases completamente desprovidas de sentido. E nem sequer quero referir as notícias científicas... apenas e só nas publicações de referência é que não se nos depara com asneira mais do que grossa.
Os jornalistas são actualmente a classe profissional mais incompetente, asinina e incapaz e desnecessária deste país.
De perto seguem-se a esmagadora maioria licenciados em Direito - nas suas mais diversas ramificações, dos magistrados e juízes aos advogados, juristas e outros agentes. São uma das corporações com maiores responsabilidades no atraso atávico deste país e desde há mais tempo.
Irritam-me os Patrões deste país, que anda tão carenciado de empresários há mais de 200 anos e os detentores dos cursos de Economia/Gestão que acham que sabem ser empresários e nem patrões sabem ser. E irritam-me os trabalhadores que querem ganhar muito sem nada fazerem e acreditem que não são assim tão poucos quanto isso.
Irritam-me os instigadores e os seus acéfalos seguidores das “guerras dos sexos” que apenas servem para vender publicações que não valem o papel onde são impressas e programas de rádio e televisão que espantam pela absoluta vacuidade.
A maioria são, tristemente, mulheres. Esta postura não beneficia o género e se repararem bem, muitas das “arautas” e “guruas” destas “guerra” parecem mais interessadas em abimbalhar e estupidificar o mulherame.
Da parte masculina o que não são absolutamente boçais, são a perfeita contraparte do que foi dito acima.
E o que sobra desta contenda são mulheres e homens absolutamente fúteis e bidimensionais, sem nenhum resquício de profundidade. E a maior diferença salarial entre géneros da Europa comunitária.
Dos políticos muitos me irritam e muitos outros me deixam profundamente irritado o que são duas coisas diferentes - mas sobre isto postarei mais tarde em exclusivo sobre o assunto.
E quem não gostou ou concorda com o que aqui está escrito – bem o direito é todo seu, felizmente ainda garantido pela Constituição